terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

O homem branco de origem negra.

Colaborador Roberto Rocha


Os homens brancos sempre foram brancos? Essa pergunta me surgiu ao assistir um programa sobre racismo. Qual a origem do racismo? O racismo sempre existiu ou é uma consequência natural e sociocultural? Se é verdade que o berço da humanidade é a África, então, todos nós éramos negros no início: uma origem sem diferenciação de fenótipos. A questão da raça, quando estudada do ponto de vista genético, é algo muito natural entre qualquer espécie. Aprendi que uma espécie pode ser modificada em algumas de suas características, com base em duas fortes vertentes: a do potencial genético e da resistência do meio. Se a nossa constituição genética de um passado muito remoto, era uma só; e vivíamos num mesmo continente, na linha do Equador, então parece ser fácil explicar que poderíamos ficar por ali, por muitos milhares de anos, sem grandes variações em nosso genoma original. No entanto, nossa curiosidade de conhecer o entorno nos fez ampliar, cada vez mais. os nossos restritos territórios de origem. Em nossas vivências migratórias, fomos deixando pelo caminho um rastro genético de pele negra adaptada aos trópicos. Mas a medida que nos deslocamos para o Norte, os desafios aumentaram. Não estávamos acostumados com tanto gelo. A riqueza da caça abundante equatorial não era a mesma nas terras boreais. Muitas espécies foram exterminadas pela interferência humana no passado - e continuam sendo até hoje - só que num rítmo muito mais acelerado. Logo perceberíamos que somente com muita inovação para manejar plantas e animais é que teríamos alguma chance de continuar a viver em ambientes tão hostis. Por centenas e centenas de anos a melanina superficial foi diminuindo e a cor da pele foi clareando. Uma cultura adaptada às exigências do Norte era agora uma questão de sobrevivência. Tivemos que melhorar a nossa capacidade de caçar, plantar e criar. Algo novo que não aconteceu com nossos ancestrais das florestas dos trópicos. Os grandes animais do gelo que lembravam as espécies africanas foram logo exterminados para servirem de alimento. E agora, o que fazer? Enquanto isso a pele negra que migrara no sentido da linha do equador continuava a encontrar caça abundante e sem problemas com o gelo devastador. Duas correntes então se formaram de uma mesma origem. Os migrantes equatoriais e os migrantes boreais. A vida tropical é menos exigente e oferece tudo que precisamos. Não há necessidade de grandes mudanças. No entanto o fato de termos saído da África nos colocou um enorme desafio que não estávamos acostumados: viver em terras frias. Onde está a caça abundante de um ano inteiro, a qualquer momento, de dia e de noite? Em terra ou nos rios? Nas praias arenosas e nos mangues, ricas em moluscos, crustáceos, e uma infinidade de peixes? O homem do Norte ficou um tanto desolado com pobreza de vida, mas sabia como plantar e colher mesmo em pequenos períodos. Aprendeu a guardar o alimento e ampliou sua capacidade de sobreviver, invadir e se adaptar à nova realidade. Talvez seja esta a principal diferença entre os homens negros que tornaram brancos e os homens sempre negros. Foi uma questão ecológica e cultural. A necessidade faz a hora ou a hora faz a necessidade? Os indivíduos que não souberam se adaptar as novas exigências, sucumbiram. Outros, voltaram para a linha do Equador. Mas alguns ficaram. E por muitos anos aprenderam técnicas novas de se organizar e de observar o que havia nas proximidades. O homem equatorial não precisou se esforçar tanto. Bastava saber caçar e pescar num mundo abundante de vida, os trópicos. O povo do gelo teve que “inventar” novas moradias e se especializou em engenharia de sobrevivência. Foi um passo enorme. No entanto, uma vez aprendida a lição seria mais fácil ampliar suas populações por uma vasta área ainda virgem, embora um tanto pobre, se comparada com as terras tropicais. Se observarmos a maneira com que o homem brando ocupa as terras, vamos encontrar uma estrutura mais “pensada” do que as que são usadas pelas tribos da África e da America do Sul. Enquanto o povo dos trópicos concentrou sua cultura na caça, o homem do Norte concentrou sua cultura em sobreviver em ambientes hostis. Seria coerente pensar que o homem do gelo tivesse uma maneira diferente de pensar e de agir, quando comparado com o homem tropical. Quando se diz que não existe diferença entre a inteligência do negro e do branco, isso parece ser verdade, porque os desafios foram diferentes ao longo da história antropológica. Se todos os homens negros iniciais tivessem ficado no Norte, todos eles teriam os mesmo desafios e uma cultura mais semelhante. Mas isso não aconteceu. O homem do gelo foi obrigado a perceber o mundo de uma forma diferente e a conviver com modelos diferentes daqueles dos trópicos, que fizeram parte da sua história inicial. As savanas são áreas abertas e ensolaradas. A pele negra ajuda a proteger a intensa radiação solar. Mas se o homem negro passar a morar em locais mais abrigados, sob a copa das árvores da floresta equatorial, é muito possível que a sua pele não precise de tanta melanina, e fique mais “acobreada”. Seriam eles os nossos indígenas brasileiros? Não foi a toa que chamaram os europeus de “homens brancos”. Mas vem a pergunta: mas na África nós temos também florestas equatoriais! Porque os homens negros não clarearam nas florestas chuvosas da África? Por que preferiram viver lá, predominantemente nas áreas abertas? Seria por causa dos predadores? Concorrência com outras espécies de florestas mais fechadas? Será que existiram “homens brancos” na África? Como explicar a existência de uma mesma espécie – Homo sapiens – com três fenótipos diferenciados: de pele negra, de pele vermelha e de pele branca? As recentes pesquisas sobre a trajetória histórica da espécie humana e suas adaptações podem nos ajudar a esclarecer tais diferenças.

sábado, 8 de agosto de 2015

A CONSERVAÇÃO DA BIODIVERSIDADE NOS MUNICÍPIOS BRASILEIROS

Colaborador Roberto Rocha

            Biodiversidade é um termo que vem ganhando grande repercussão nos últimos anos. Esse fato decorre da preocupação mundial, cada vez maior, em garantir recursos naturais básicos para as gerações futuras. Estima-se que até o final do século XXI o planeta perderá grande parte de sua riqueza biótica, o que representa séria ameaça econômica. Plantas e animais são recursos renováveis desde que mantenham suas populações geneticamente viáveis. A polinização das flores e a dispersão de sementes, por exemplo, são fenômenos naturais em grande parte envolvendo animais invertebrados e vertebrados de diversas espécies, garantindo assim a sobrevivência das florestas. No entanto esse "reflorestamento natural pelos animais" – mais adequadamente conhecido como “serviços ecossistêmicos” - não costuma ser evidenciado, dando-se preferência ao plantio de mudas e sementes exóticas "pelas mãos do homem”, o que deve também ser organizado através da criação de hortos municipais, sem menosprezar o "trabalho" dos organismos nativos em geral.

            As florestas contribuem para a contenção dos processos erosivos - evitando enchentes e desabamentos - amenizam a temperatura nos grandes centros urbanos, produzem uma série de princípios curativos muito usados pela população, fornecem madeiras para diversos fins, essências, fibras e óleos. As florestas são organismos vivos e dependentes, onde os animais NÃO VIVEM NELA SOMENTE, MAS FAZEM PARTE DELA E SÃO FUNDAMENTAIS PARA SUA SOBREVIVÊNCIA. Justamente por esse motivo é que precisamos conservar nossa biota porque todos esses organismos trabalham gratuitamente para nós, incessantemente. Profissional e tecnicamente falando, quem melhor para recuperar e manter as florestas?

             Outro assunto importante e que tem a ver com a biodiversidade é a conservação dos recursos bióticos que existem nas coleções das águas doce, salgada e salobra. Só mais recentemente é que os invertebrados foram considerados em nossas listas de espécies ameaçadas. São seres bem diferentes daqueles que vivem nas florestas de terra firme, nem por isso menos importantes. Rios, lagos, lagoas, manguezais, estuários, mares e oceanos, fornecem uma incrível quantidade de proteína para as populações humanas de diversos continentes do planeta. E embora os peixes façam parte da fauna – porque são zoologicamente assim classificados – você encontra esses organismos sendo comercializados em feiras e mercados sem que isso seja percebido como uma transgressão legal, embora seja proibida por lei que os animais pertencentes ao patrimônio nacional sejam explorados pela sociedade sem estudos e autorizações cientificamente orientadas. As estatísticas brasileiras sobre o volume de peixes capturados na costa atlântica brasileira são incompletas e falhas. Carecemos de equipes especializadas em recursos marinhos. Estamos exterminando espécies que não chegaram nem mesmo a ser classificadas, totalmente desconhecidas. Daí a necessidade de nos preocuparmos com a boa qualidade da água e os perigos da erosão e assoreamento nesses ecossistemas, porque somente livres de poluentes e de outras alterações físicas é que poderão manter e permitir a reprodução das populações vegetais e animais que dela dependem, tanto ou mais do que nós.

            Apesar de termos conhecimento do valor desses recursos - e do mal que lhes temos causado - muito pouco temos realizado para reverter a atual situação. Precisaremos, urgentemente, acelerar esse processo de restauração ambiental para resguardar a nossa própria sobrevivência, seriamente ameaçada. Assim, torna-se necessária a real participação governamental, especialmente a nível do município porque está mais próximo dos problemas e pode melhor controlá-los. Muitas vezes, mais do que recursos financeiros e humanos, o que falta realmente é a vontade política, que desencadeia as demais. Os municípios precisam se organizar melhor para atuar em seus ecossistemas, preservando-os ou recuperando-os, ao invés de esperar somente que o Estado resolva a maioria de seus problemas, como normalmente acontece. Para orientar procedimentos e outros atos oficiais esperados por parte das Prefeituras, estamos apresentando as seguintes sugestões:


1- Que os assuntos referentes ä flora e ä fauna sejam tratados em conjunto sob o título CONSERVAÇÃO DA BIODIVERSIDADE.
          2- Que os ecossistemas que ultrapassem os limites políticos do município sejam estudados e manejados em conjunto com os municípios vizinhos, para que não haja descontinuidade e desigualdade de tratamento nos assuntos ecológicos - que desconhecem limites político-geográficos. Normalmente as bacias e micro-bacias hidrográficas são as unidades aconselháveis para desenvolver estudos e planos.
          3- Que sejam criados e considerados prioritários SERVIÇOS, DIVISÕES E DEPARTAMENTOS, que atuem sobre o tema BIODIVERSIDADE MUNICIPAL, o que não impedirá ações em conjunto com universidades, organizações não governamentais, associações de moradores, entidades religiosas, clubes de serviço e outros segmentos da sociedade que possam colaborar nesse trabalho integrado.
         4- Que as equipes que fiscalizam o uso dos recursos naturais do município, sejam treinadas nos temas ambientais onde deverão atuar, para o adequado desempenho de suas funções.
        5- Que o orçamento municipal priorize recursos financeiros para equipar e manter as equipes de fiscalização e auditoria ambientais.
     6- Que para seleção de áreas a serem protegidas sejam consideradas  não somente aquelas indicadas pelo Estado como Unidades de Conservação, mas também  quaisquer outras que sejam vitais para a manutenção da boa qualidade de vida do  município.
       7- Que a fiscalização seja rigorosa nas áreas que sofrem pressões fortes com destruição de formas jovens de animais, suas larvas e ovos, como é o caso das ilhas, praias, costões rochosos, manguezais, lagunas, brejos, etc. A poluição, na maioria das vezes, mata muitos  animais microscópicos que não são visíveis a olho nu. A quantidade desses seres é infinitamente maior do que todos os adultos que podem ser colhidos mortos ou fotografados para notícias em  jornais.
       8- Que na delimitação de áreas de importância ecológica para a flora e a fauna se dê prioridade àquelas que possuam maior extensão e continuidade de cobertura vegetal, sem maiores interrupções entre elas. É preciso também lembrar que áreas degradadas não são sinônimos de áreas irrecuperáveis, devendo essas serem também consideradas para a salvaguarda de recursos naturais, mesmo que se tenha que atuar alguns anos para resgatá-las, como é o caso de manguezais e restingas que foram perturbados ou seriamente modificados em suas áreas de origem. Para tal, se estimulará a regeneração natural através de  cuidados e técnicas diversas, além do plantio de sementes e  mudas, entre outras.
     9- Que no monitoramento dos impactos ambientais causados pela poluição atmosférica, hídrica, do solo etc, sejam incluídos também os malefícios que causam sobre as plantas, animais selvagens e seus ecossistemas, e não somente em relação ao homem, porque se o equilíbrio biológico ficar prejudicado as consequências redundarão em prejuízos humanos.

    10- Que ao lado de ações fiscalizadoras e punitivas seja implantado um amplo programa de educação ambiental no município desde a pré-escola, de modo a atingir o maior número possível de públicos, incluindo-se neles, principalmente, os empresários e políticos locais.
            Eis aí os 10 princípios básicos que sugerimos cuja viabilidade dependerá, fundamentalmente, da sensibilidade dos poderes decisórios municipais e da própria comunidade em relação ä causa conservacionista. O mais é sair do discurso para a prática, de modo que os lucros auferidos passem a ser contabilizados sob uma nova forma de investimento, que muito mais que valores financeiros acumulam reconhecimento público, seriedade administrativa,  respeito ao próximo e à vida.


sábado, 28 de março de 2015

Ainda em París?


Colaborador ROBERTO ROCHA

A insensibilidade e a ignorância em relação às questões de preservação do nosso patrimônio é facilmente explicável porque os atuais ditos “brasileiros” que estão no poder empresarial são na verdade “europeus em terra estranha”; muitos deles mestiços, porque seus ancestrais recentes se acasalaram com negros e índios. Indígenas (brasileiros autênticos) e africanos não mestiços (também autênticos), representam o melhor grupo humano que compreende o valor do equilíbrio ambiental tropical, porque possuem tradições milenares. E a nossa tradição brasileira – construída a partir de estratégias de países do gelo – qual é? Em pouco mais de 500 anos, nosso equivocado modelo de uso da terra mostrou seus erros. Os índios, “ditos incivilizados” – porque não acompanharam a “civilização” dominante da Europa – foram exterminados para que novas populações exóticas ocupassem o mesmo espaço, alardeando seus modelos de exploração. Os índios não “exploram”: eles “convivem”! Os indígenas preservaram nossas florestas, rios, praias, lagoas e tudo que se possa imaginar, durante “milhares de anos”. Lamentavelmente não valorizamos a nossa (?) própria história. O que somos hoje? Fruto de um modelo da idade moderna, antropocêntrica, que – apesar do apelo da época (que gritava nas ruas da França pela liberdade, igualdade e fraternidade) – estimula a ausência do Estado nas questões fundamentais e privilegia fortemente o privado para interferir no que é público. É verdade que estamos hoje num caminhar doloroso, aprendendo com nossos graves erros do passado, tentando consertar parte do que ainda tem conserto. Mas como consertar a alma? O sentimento de perda vai ficar. A ferida pode até fechar! Pode não doer mais. No entanto, não podemos esquecer que nosso DNA original está vivendo aqui como exótico e invasor. Trouxemos conosco nossos acompanhantes também exóticos e invasores (boi, cavalo, porco, cachorro, gato, galinha etc). Que justamente por isso, temos uma enorme dificuldade de entender a estratégia indígena de ocupação e uso do espaço. Que justamente por isso somos incompetentes em lidar como a gestão de ecossistemas tropicais. O Rio de Janeiro do início do século XX parecia Paris. As pessoas (os privilegiados) se vestiam como se estivessem na Europa. Somos uma continuação deles. Precisa dizer mais?

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Sustentabilidade: a saída, onde está a saída?

Colaborador Roberto Rocha

Acho que nosso maior desafio é compreender que nós não somos "gente" como todo mundo acredita. Somos apenas um conglomerado provisório de partes dos diversos compartimentos do planeta (atmosfera, hidrosfera, geosfera) organizados conforme cada genoma particular. Temos sim uma outra parte cósmica, pensante. Mas a nossa cultura egoísta deturpou o conceito de que pertencemos ao todo. Pensamos e agimos -  equivocadamente - como se fôssemos criaturas independentes da natureza. Esse erro nos torna, falsamente, poderosos demais; e nos incentiva a interferir nos sistemas sem maiores cuidados. Ocorre que a nossa capacidade de intromissão é outra ilusão. Nós não podemos salvar o planeta. Precisamos salvar a nossa pele, enquanto "ELE" está nos tolerando.  É possível que chegue um ponto em que Gaia não nos tolere mais, e nos elimine com alguma onda de vírus letais ou de "desastres" corretivos. Nada incomum. A química dos compartimentos já mudou diversas vezes na história dos bilhões de anos do planeta. E nós - que chegamos aqui no outro dia - arrogantemente, nos colocamos com "criaturas especiais". Pobre homem! Pobre intenção. Quando é que vai cair a ficha? Os modelos de funcionamento dos serviços dos ecossistemas são nosso norte. Não temos que inventar mais nada. Precisamos apenas observá-los e aprender com eles. Quem está interessado nisso num mundo capitalista? Num contexto materialista e que coloca o homem como centro do mundo? O homem não é centro!  É parte. Frágil, dependente, efêmero. Este pode ser um caminho. 

domingo, 30 de junho de 2013

A luz e a escuridão

Colaborador Roberto Rocha

Quando dizemos que o Sol nasce no Oriente e morre no Ocidente, todos os dias, isso não é uma verdade. É apenas a nossa ilusão de perceber o mundo, incorretamente, parcialmente. E quantas vezes já tomamos decisões em nossas vidas com base nessas percepções ilusórias? Nada nasce ou nada morre! O que temos é uma transformação e fluxo. São ciclos que se repetem como o pêndulo que vai e que tem que voltar; procurando o centro, o equilíbrio. No entanto, a força inicial que o desloca, sofrerá pressões e interferências, até que ele pára.
O Universo se expande como se ele estivesse indo para algum lugar infinito. Mas não chegará até lá! Num dado momento em que atingir sua expansão máxima ele terá cumprido sua missão. Como a chama de um fósforo que explode em energia, logo se estabiliza, e no final se apaga. Acender um fósforo é compreender o que acontece com o universo. O que acontece ali nos faz refletir sobre a vida em geral e a nossa própria vida. Será que temos uma real noção de como usamos nosso breve momento energético? Procuramos ser úteis e felizes nessa breve explosão chamada vida? Curtimos cada momento repartindo o amor e a compreensão? Ou ficamos estacionados no passado? Que perda de tempo! Justamente quando sabemos que viver é uma dádiva; uma oportunidade ímpar para a nossa própria evolução (=expansão?). A breve centelha logo se apagará! E o que será que ele energizou em nossa volta até então? Bondade? Tolerância? Amorosidade? Generosidade? O que, afinal? 
Quando amanhecer: olhe para o Sol! Compare-o com a  sua vida. Perceba que ele vai amanhecer no Leste e entardecer no Oeste. Que seu brilho mais intenso (conforme nossa percepção)  será ao meio-dia. Depois, a intensidade luminosa começará a diminuir (outra vez, apenas a nossa percepção). E então, tudo escurece, como numa floresta sem humanos e sem luzes artificiais. Esse breve momento nos ensina uma lição: aproveite o seu dia iluminado! Não o consuma ruminando desafetos e sofrimentos. É uma opção nociva de viver. Um desperdício é um desrespeito à dádiva de existir e de estar no mundo. Agradeça tudo o que vier e o que virá, até que o poente se apresente. Acredite que amanhã você terá outra oportunidade de tentar, caso não consiga, iluminar outra vez o seu mundo particular. Tenha esta certeza como o Sol voltará para você uma vez mais. Ele estará lhe dizendo: não desista! Tente outra vez! O próprio Sol nos diria: "eu vivo nascendo e morrendo, a cada dia e a cada noite, na esperança que o mundo acorde e durma em paz. Não tenho nenhuma certeza disso! Mas eu sempre volto e ilumino a todos, sem restrições. Alguns se escondem de mim, e permanecem nas sombras, em cavernas escuras. Outros me olham rapidamente, e logo se retiram para suas tocas seguras. Não me importo! Ofereço a cada um a oportunidade de decidir o seu dia. Sem  pressões. Se não mudar nada, voltarei amanhã, outra vez, como faço há muito tempo, desde que comecei a me expandir". Como vemos, apesar da disponibilidade do Sol, só nos tornaremos melhores se desejarmos mudar algo em nossa vida, por nossa própria conta, ou com a ajuda de outras pessoas. O Sol ainda vai se manter acesso por alguns milhões de anos, com ou sem a nossa presença. O que recebemos dele é apenas um breve punhado de energia que se dissipa em nossa provisória matéria geneticamente organizada. Em breve, teremos que devolver tudo isso ao todo. Nos diluiremos no todo uma vez mais. Não sei para onde irá parte da minha água ou dos sais do meu corpo. Quem sabe para um oceano! Ou para o osso de uma ave! Talvez em algum verme do solo! Ou na estrutura de um vírus! Mas uma coisa eu sei: o Sol nascerá outra vez!  Dará nova chance para todos que desejarem recomeçar alguma coisa. Corrigir algum desvio; perdoar alguém! Se não for hoje, poderá ser amanhã. Mas com certeza o Sol estará lá, o tempo todo; com seus raios vibratórios, estando eu alegre ou triste. Ele cumprirá seu papel de oferecer luz. A partir de seu exemplo, eu devo fazer o mesmo; inda que não tendo a sua magnitude e nem a sua benevolência. Sou um pequeno sol, com uma pequena chama. Com ela vou escolher novos caminhos, que antes eu não via. Vou imitar o Sol.  Sair da noite e conhecer o dia. Clarear o entorno com a minha pequena luz. Quem sabe, nessa busca, eu também possa orientar alguém a sair da escuridão...   
(RRS, 3 jun. 2013)

sábado, 29 de dezembro de 2012

Pensando num futuro já.



Colaborador: Roberto Rocha
 
Como o mundo realmente não acabou, fico muito satisfeito em continuar a curtir tudo o que eu gosto e a estar sempre disposto a ver as coisas desagradáveis como caminhos de aprendizagem em vez de motivos de sofrimentos e lamentações. Sofrer por sofrer não muda nada. Alias, muda sim: a minha cara e a minha disposição para estar no mundo. Andar com a cara triste e amarrada só afasta as pessoas. Se desejar  fazer alguém feliz, comece por você! A felicidade se irradia. Nesse momento conturbado do planeta estamos precisando de pessoas otimistas e alegres, bem humoradas. É uma questão de condicionamento e de desejar estar assim. Nosso livre arbítrio nos deixa à vontade para decidir o que queremos fazer de nossas vidas. Se formos pessimistas, assim será a sua vida. É certo que a vida não é um mar de rosas, mas também ninguém se aguenta banhando-se em fogo e sangue. É como fôssemos um rio a alimentar um grande oceano. Se agora só depositamos mazelas, teremos um mar de mazelas no futuro. Inda bem que tem gente que derrama somente coisas boas nesse oceano e as mazelas podem ser até diluídas. É um bom momento para perguntar: o que você tem derramado no oceano do mundo? Entendo que seu oceano particular possa ser sujo e mal cheiroso. Mas quando vamos derramar algo no mundo, vem a preocupação de que devemos respeitar o "outro". Nesse final de 2012, dizem que termina um ciclo longo para iniciar um outro, certamente promissor e transformador. Ninguém aguenta mais os absurdos que imperam na Terra: as desigualdades sociais, a exclusão, a ganância, o desrespeito ao próximo e tantos outros. O mundo globalizado está ruindo porque não soube administrar o seu próprio paradigma. A busca por um PIB cada vez mais alto deixou os países desenvolvidos cegos nos próprios caminhos que construíram sem maiores cuidados. A sociedade está mudando. Não está mais aceitando imposições incoerentes e descomprometidas. Os próximos anos serão decisivos para traçar um futuro mais equilibrado e menos agressivo. Se não for por motivos econômicos e sociais será por motivos ambientais, tipo aquecimento global ou algo semelhante. De que vale tanta tecnologia se ela não é capaz de controlar os desastres do mundo. Podemos apenas "prever e registrar" o tempo de hoje ou de alguns dias. Simulações podem ajudar mas há sempre um fator de erro embutido nelas. Com toda a parafernália atual não somos capazes de deter um terremoto ou um tsunami. Ventos de 150 km brincam com as nossas frágeis estruturas. Resta rezar os entes queridos. O lema mais importante para a economia deveria ser: quanto "mais complexos" forem os sistemas naturais, mais lucrativos eles serão para TODOS. A questão é que o lucro perseguido nos últimos séculos tem sido apenas para ALGUNS, com base na "simplificação". Florestas inteiras são destruídas para a implantação de monoculturas e pecuária, numa demonstração equivocada de modelo "produtivo". Ora: o que será mais produtivo do que uma floresta inteira? Com milhares e milhares de espécies? Guardando água em seus corpos minúsculos como se fossem um verdadeiro oceano terrestre! Oceano terrestre sim! Já pensou nisso! Existem rios que voam e oceanos terrestres! Estranho não é? Precisamos inovar e pensar "diferente" do que nos dizem por aí. Pensar é preciso! Refletir é preciso. Para que não tenhamos a desconfiança de que estamos sendo cúmplices de um grande crime planetário, anestesiados ou não, mas que será cobrado por nossos netos e bisnetos. Boas reflexões para 2013... 

domingo, 23 de setembro de 2012

Falando de gerações e de emissões

Colaboradora Roberta Cordeiro da Cruz
Muitos de nós já ouviram falar que no século passado, na época em que nossos avós eram bem jovens, o clima não era da forma como hoje se apresenta. As estações eram mais facilmente reconhecidas por suas características bem definidas. Nossos ascendentes conseguiam até prever, com certa precisão, acontecimentos climáticos de menor importância e assim tinham como planejar melhor pequenas decisões.
Decorrido menos de um século entre nossas gerações, já não podemos ter a mesma certeza de como será o tempo no dia seguinte, mesmo com toda a tecnologia avançada que dispomos atualmente para a previsão de furacões, tempestades, etc.

Mas o que está faltando para que o homem possa “dominar” as intempéries dos dias que virão?
O homem moderno deixou sua conexão com os elementos naturais e passou a ser altamente dependente da tecnologia que produziu.
 
Hoje, o “homem do campo” ─ aquele antes conectadíssimo com a natureza ─ é tão dependente desta tecnologia moderna que passou a ser apenas um “homem no campo”.
 
E os raios?! Ah! Os raios...
 
No Brasil, segundo os dados do INPE, metrópoles como São Paulo e Rio de Janeiro apresentam uma quantidade de raios muito superior aos dados do século passado. Isso sem mencionar a quantidade de descargas elétricas que partiram do solo em direção às nuvens!  

Os fins de tarde têm apresentado, com frequência, rajadas fortíssimas de vento que balançam janelas e provocam, em poucos minutos, a queda de árvores centenárias, problemas na fiação dos postes e muito mais. As previsões feitas por esses cientistas afirmam que até o final deste século teremos o dobro de enchentes de grandes proporções o que acarretará problemas das mais variadas ordens.
Seria uma resposta de GAIA aos seus parasitas?
 
Uns afirmam ser o tal aquecimento global o culpado por todas as alterações climáticas que aí estão, enquanto outros (uma minoria) dizem que ele não existe.
 
Bem, o fato é que evidências científicas mostram dados fiéis que indicam um rápido aumento da temperatura global. Neste contexto, o ser humano é o protagonista da situação perigosa em que se encontra o planeta, e que isso não é apenas mais um processo natural em andamento.
Sim! A Terra passa, naturalmente, por períodos de aquecimento e de resfriamento. São ciclos naturais.
 
Podemos até continuar a discutir as variações de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera, relacioná-las às médias de temperatura para um mesmo período passado e compará-las com os dados atuais. Contudo, o que já sabemos é que quando a temperatura global começa a aumentar, a concentração de CO2 aumenta também e vice-versa; e esses dois fenômenos se realimentam há séculos e sempre se alternam.
 
Porém, quando atualmente nos referimos ao aquecimento global não estamos tratando dos ciclos naturais pelos quais a Terra passa. Estamos sim, relacionando os impactos das atividades humanas que incrementam o aquecimento global (artificial e adicional) àquele já provocado por ciclos naturais de resfriamento e aquecimento.
 
Segundo dados do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas), existem hoje 400 ppm* de CO2 na atmosfera comparados com 300ppm* nos séculos anteriores à revolução industrial.
 
Portanto, concluímos que o homem não é quem gera o aquecimento global, que é um fenômeno natural, mas é ele quem contribui, a passos largos, para acelerar este aquecimento.
 
A última década apresentou a média de temperatura mais alta da história do planeta e mostra que o clima está mudando rapidamente. É esperado que a temperatura global aumente de 2 a 6 graus Celsius até o final do século.
 
Então, não podemos dizer, simplesmente, que devemos nos adaptar às mudanças. Temos a obrigação de reduzir significativamente nossas atividades industriais começando por diminuir, imediatamente, o consumismo descontrolado que contribui com grande parcela para essas alterações climáticas. Reformular velhos hábitos pode parecer pouco quanto à contribuição individual que podemos dar, mas se somarmos nossos esforços, o total destas atitudes renovadas nos mostrará que podemos direcionar melhor nosso futuro.
 
E o que esperamos para o Brasil? Que os governantes se comprometam, verdadeiramente, na implantação e execução de políticas públicas sérias! Que a educação seja realmente levada a sério! As gerações economicamente ativas, que já se estabeleceram, estão corrompidas e devemos, portanto, reformular o plano brasileiro para o futuro que queremos.
 
Já parou para pensar no que está acontecendo com a Amazônia, o Cerrado e o nordeste do nosso país? As previsões não são nada animadoras. A floresta amazônica está se transformando em áreas de pastagens tendo sua biodiversidade totalmente arrasada pelo agronegócio. E quem pode afirmar que ela não se transformará em uma enorme savana? Seu clima e, até o de todo o território nacional, pode ser definitivamente alterado. O cerrado é explorado e devastado sem nenhuma responsabilidade e o nordeste, em breve, será uma grande área desértica. Diminuirão as chuvas, e o sudeste e o sul do país também sofrerão severas consequências.
 
Há futuro para um sistema capitalista onde a economia está permanentemente em conflito com a natureza?! Como mobilizar pessoas do mundo todo e fazê-las entender que precisamos mudar a civilização atual por uma que tenha hábitos mais sustentáveis? Não precisamos fazer voto de pobreza para que isso aconteça. Talvez uma boa sugestão seja aderirmos ao consumo consciente e uma distribuição de renda mais justa e equitativa entre as diferentes classes da sociedade mundial, para chegarmos a uma única classe.
 
Utopia?!!!! Não! Necessidade. Ou todos, sem exceção, seremos apenas um capítulo indigesto na história de Gaia.

* ppm – partes por milhão