Porque se desejarmos realmente fazer alguma coisa pela espécie humana, precisamos primeiro compreender como o planeta funciona e, através da educação, nos tornarmos gentís e atentos, para não desvirtuarmos algo tão perfeito e tão sagrado.
sábado, 15 de outubro de 2011
sábado, 10 de setembro de 2011
Não se pode amar aquilo que não se conhece
Se entre pessoas de uma mesma família, ou entre colegas e amigos, muitas vezes temos dificuldades de compreender o "outro", imagine quando este "outro" está distante, nunca foi visto, e precisa ser amado!?. Refiro-me ao "amar a natureza"; de onde viemos e da qual dependemos como criaturas frágeis e vulneráveis às mudanças da Terra, muito mais do que às mudanças econômicas. Mas o "sistema" nos ensinou que para sermos felizes e possuirmos uma boa qualidade de vida precisamos ter uma "gorda" conta bancária, um carro do ano, uma bela casa e tantas outras conquistas semelhantes. No entanto, em certos momentos, percebemos que, mesmo com tudo isso, está faltando alguma coisa. Quem sabe seja um retorno às práticas mais simples e puras? Ficar olhando um rio passar, as ondas de uma praia, as vozes dos pássaros ao amanhecer, as formigas carregando seus pedaços de folhas, descobrir uma perereca camuflada em meio à vegetação. Pode parecer estranho desejar coisas tão "insignificantes", quando as comparamos com os ambientes ensurdecedores de alguns espaços de festas, à inquietude das pessoas paradas no trânsito - apesar de possuirem um carro poderosíssimo. Ter um relógio que pode ser usado a 300 metros de profundidade sem alterar a sua precisão: ridículo! A maioria dessas pessoas jamais passou dos dois metros num mergulho "profundo". Mas o que importa é que o relógio possa ser "incomum" em relação ao que os outros fazem. Poder mostrá-lo aos outros e repetir que é algo "diferente". Valorizamos coisas que não possuem qualquer utilidade real, a não ser mostrar que "somos" ou "possuímos" algo diferente. Essa prática exclusivista vale também para a nossa relação com a "natureza". Nascemos cercados de paredes e alguns equipamentos artificiais (tanto o pobre, quanto o rico) e logo nos apresentam outras novidades coloridas articialmente: algumas dotadas de sons jamais ouvidos nas florestas originais. Formas e ângulos impossíveis de serem reproduzidos pelas plantas: bem-vindo ao mundo dos humanos tecnologizados! Logo logo, vamos aprender a ficar em frente de um retângulo brilhante, com uma resolução de detalhes que natureza alguma consegue imitar. Vamos comer em pratos redondos, duros e cheios de sinais e cores incríveis. Tudo é incrívelmente forte e arrebatedor. Não dá mesmo para comparar com a simplicidade do mundo natural e disfarçado. Vamos aprender que a escola é um excelente lugar para ficar lá por muitas horas ouvindo explicações sobre como o mundo dos homens funciona, como trabalhar por oito horas seguidas para receber um salário no final do mês. Vamos aprender que os bancos agora vão até a sua casa e que voce não precisa se desgarrar da máquina e perder a oportunidade de estar mais presente nas redes sociais. Vamos aprender como o mercado de trabalho é algo tão sagrado como um deus. Que estar atualizado com as novas versões de programas avançadíssimos é vital para se manter empregado numa empresa de topo. As horas que temos para pensar, isolado do mundo, para meditar sobre "o que somos", para não ouvir nada e nem ninguém, são cada vez mais raras. Ou não existem mesmo! É zero! E assim seguimos em nossa trajetória, até que alguém vem nos "exigir": precisamos defender a natureza! E então vem aquela sensação de "nada" dentro da gente. Como defender ou gostar de algo que eu nunca vi? Como defender um macuco, um mutum, uma jacucaca, um jaguarundi? Quem são eles? Quais as suas cores? Que som saem deles? Como são as suas formas? As perguntas vão ficando sem respostas. No nosso cérebro primata só existem referenciais artificiais, construídos dentro da mais alta tecnologia, seguros, confiáveis. E nós achamos que deve ser assim mesmo. O nosso lado selvagem e natural foi assassinado com a maior das boas intenções! Levamos milhares de anos para forjar um cérebro complexo e exigente. Estamos agora simplificando tudo. Estamos nos emburrecendo com o excesso de estímulos. Somos uma criatura "natural" desejando viver e ser feliz num mundo "artificial". Nada mais paradoxal! E aceitamos tudo isso como "desenvolvimento". Mas que tipo de desenvolvimento? Para quem? Será que a nossa saúde mental está incluída nesse objetivo? Fico preocupado quando insistimos em forjar e manter situações completmenae estranhas à nossa natureza animal. Vou torcer para que esteja errado! Que essas linhas sejam apenas um momento de desabafo de coisas que ainda não conheço bem, na minha santa ignorância. Gostaria de amá-las ! ... Mas alguma coisa dentro de mim diz que algo está errado, muito errado. E essa coisa fica lá, me incomodando. E eu, tentando disfarçar... Querendo dizer: eu te amo! Mas como? A natureza tem sido um mundo estranho para muita gente. O mais perto que pode chegar dela é uma peninha pendurada na orelha. Ou na comida exótica que custa os olhos da cara num restaurante de luxo. A distância entre o "meu ambiente artificial " e o "verdadeiro ambiente natural" é imensa. Por isso, quando pedir para alguém amar a natureza, pergunte primeiro: voce sabe o que é um macuco, um mutum, um jacurutu? Se souber, ótimo! Boa parte do trabalho já está concluído. Se não souber? Arregace as mangas, meu amigo! Muito trabalho te espera !. Quem sabe até consiga despertar algum amor arrependido?...
domingo, 19 de junho de 2011
Nem Fukushima, nem Belo Monte: termossolar, a nova fonte.
Colaborador: Roberto Rocha
Certamente, como um apelo ao bom senso, mais do que uma comemoração pontual, O Jornal do Senado do último dia 10, apresentou o seu título "Especialistas defendem substituição de combustível fóssil por fontes limpas" (disponível em: <http://www.senado.gov.br/senadores/notSenamidia.asp?fonte=js&codNoticia=107304&nomSenador=Cristovam+Buarque>. Acesso em: 19 jun 2011. O título sugere que nós estamos usando "fontes sujas": o que é verdade! Abandonar o carvão e o petróleo, deixando-os somente em nossa história de degradação e poluição industrial seria algo espetacular. O interessante desta reflexão é que ela surgiu por acaso: um passeio pelos quadrinhos viciantes da TV me mostrou, repentinamente, a imagem do senador Cristovam Buarque. Quem poderia deixar de ouví-lo? O tema debatido faz parte da Subcomissão Permanente de Acompanhamento da Rio+20. Vocês sabiam que existia tal comissão? Eu não sabia! Só mesmo a TV Senado para nos esclarecer o que ocorre no país. Mas quem é que assiste TV Senado? Todo mundo fala em História do Brasil como se fosse algo do passado. No entanto, no Senado, é feita a história do presente e do futuro. Alí estão os "fazedores" da história, representando cada um de nós, cúmplices dessa construção política e democrática, aflita pela ética e pelos princípios. Mas eis que o tema da audiência pública "Energia: para que e como", toca num antigo deus iluminador: o sol! Justamente num momento em que se fala sobre opções polêmicas, como energia nuclear e hidroelétricas. A energia solar é limpa, abundante e renovável. As termossolares não ocupam espaço significativo e seria uma opção interessante para o Brasil, até que se descubra algo melhor. De baixo custo, ela revolucionaria a região nordeste, historicamente esquecida. Essa nova revolução teria que rejeitar os modelos atuais de devastação que arrasam nossa biodiversidade, deletando segredos antigos. Um rico tesouro genético está por lá esperando ser descoberto, temendo ser afogado. Eliminado por eficientes máquinas de espalhar a simplificação biológica, cuidadosamente programadas para atender - com prioridade - os interesses econômicos. Uma nova maneira de se desenvolver, com base na pesquisa dos nossos originais recursos naturais, traria uma esperança ecológica de boa qualidade. Um plano piloto termossolar indicaria ajustes e adaptações necessárias. Essas inovações, se acompanhadas de uma política severa de combate ao desperdício e preservação máxima dos ecossistemas naturais, contribuiriam enormemente, para o desenvolvimento do país. Contribuiriam, porque vai ser preciso uma grande mobilização para convencer os empresários de que essas soluções também são muito lucrativas, embora não atendam aos múltiplos interesses imediatistas de outros segmentos que se aglutinaram em torno das matrizes fossilizadas. Contribuiria, porque vai ser preciso transferir incontáveis conhecimentos e práticas ecológicas para milhões de cérebros que estão hoje, 2011, ainda mamando sob os olhares esperançosos de suas mães. Só nos resta mesmo esperar que o tema comece a ser divulgado com maior transparência e boa vontade. Afinal, o Sol nos viu nascer! Nos faz crescer! Mas poderá também iluminar o túmulo da nossa espécie. Enquanto isso, ele permanecerá supremo, como sempre. Brilhará ainda por muitos milhões de anos, com um malicioso sorriso. E nenhum remorso restará por quem não soube aproveitar suas calorosas e irradiantes dádivas...
sexta-feira, 3 de junho de 2011
Perda da biodiversidade brasileira: a discussão necessária inequívoca e desprezada
Colaborador: Roberto Rocha
Em meio às conferências internacionais sobre desenvolvimento e meio ambiente – como se fosse possível separar uma coisa da outra – assusta a falta de prestígio inconteste, que sofrem a flora e fauna do mundo, em especial aquelas dos países tropicais. Discussões e desconfianças se repetem nos “calorosos” debates sobre o aquecimento global: afinal existe ou não um processo ameaçador em evolução, por motivos atmosféricos afetados pelo modo de produzir do inquieto Homo sapiens? Mas existe algo que não necessita de qualquer pesquisa mais aprofundada nem científica. Instituições conservacionistas constatam que só aumentam suas listas de espécies ameaçadas. As primeiras 34 espécies da fauna ameaçadas no Brasil tiveram como documento oficial a Portaria IBDF nº 303/68. Cerca de 20 anos depois o então IBAMA, através da Portaria nº 1.522/89 indicou 206 espécies animais, em sua maioria, vertebrados. As Instruções Normativas MMA nº 3/2003 e nº 5/2004, listaram 627 espécies ameaçadas de extinção, sendo 130 de invertebrados terrestres, 16 de anfíbios, 20 de répteis, 160 de aves, 69 de mamíferos, 78 de invertebrados aquáticos e 154 de peixes. Perceba que estamos apenas falando de animais ameaçados. Não estão aqui as plantas brasileiras, fungos, protozoários. bactérias etc. Se todos fossem considerados a lista seria imensa. E por que se preocupar com criaturas perdidas nos últimos fragmentos florestais do país? Por que motivo, preciso saber mais sobre o papel e a função desses organismos nos sistemas econômicos? A natureza é ainda vista como objeto de decoração, de exposição, de brincadeiras, que amenizam as duras e tristes notícias do cotidiano. Quem valoriza a biota (flora e fauna) como responsáveis insubstituíveis do desenvolvimento humano? Posso ver um poderoso carro do ano numa exposição internacional, mas não consigo ver os minúsculos insetos polinizadores que garantem a alimentação do planeta. Quem se importa com eles? Estão lá, trabalhando sem remuneração nem contratos de trabalho, cumprindo fiel e pontualmente suas “obrigações”. Quem os valoriza? São apenas abordagens sentimentais, poéticas, estéticas, mas não são definitivamente econômicas. Destruímos boa parte da complexidade ecológica necessária ao equilíbrio do todo, em nome de simplificações lucrativas imediatistas. Nós também fazemos parte da biodiversidade terrestre e dependemos da saúde dos ecossistemas atuais. A Terra não sabe que nós “resolvemos” ser algo mais do que um simples componente do sistema. Estamos desafiando um poder que ainda não compreendemos. Somos tão animais como qualquer outro bicho vivente. Não temos o privilégio que forjamos, egoisticamente. Ou cuidamos da biodiversidade para salvar a nossa espécie ou vamos ser excluídos num processo de depuração natural, já que não interessa para o sistema o “colaborador” que não veste a camisa e não torce pelo time.
domingo, 22 de maio de 2011
Por uma revolucionária economia conservacionista
Colaborador: Roberto Rocha
Buscar novos paradigmas econômicos que substituam o capitalismo selvagem dos últimos séculos, inclui olhares para a Economia da Conservação: uma forma de produzir sem desconsiderar os modelos homeostásicos naturais e bilenares do sistema Terra. Essa modalidade econômica vem se juntar à Biologia da Conservação e à Medicina da Conservação, ambas também focadas nos serviços dos ecossistemas e na saúde ambiental. Note que o termo conservação aparece em todas elas, e não é sem motivos, porque a natureza atua com bases em leis rigorosas, incluindo medidas econômicas altamente eficientes e eficazes. É muito provável que o nome “ecoeficiência”, utilizado como uma das matrizes do desenvolvimento sustentável, tenha sido adotado como mimético da verdadeira capacidade dos ecossistemas em não dissiparem energia desnecessariamente. Não custa lembrar que essa prática tecnicista é reducionista e não chega nem perto de uma verdadeira mega-economia planetária ou universal (assim como é em cima é embaixo: mas é preciso que os economistas dinossauros aceitem a máxima que faz tudo acontecer de forma ampla e irrestrita). Gaia nos dá aulas incríveis de economia natural em todos os lugares onde se possa perceber qualquer tipo de transformação, seja nas florestas, nos oceanos e, até mesmo em suas entranhas, onde embates de placas e de magma pastoso derretido promovem revoltas incríveis e “chocantes”. Se a economia tradicional engessada conseguir perceber o óbvio, vamos economizar tremendamente. A questão principal é que as empresas – muitas vezes – já sabem como economizar; e isso “pode não interessar” por outros motivos: políticos, amizades, acordos e porcentagens. Representam outras formas de lucrar, que não são exatamente “vivos dinheiros”, mas são “dinheiros vivos”. Um aperto de mão, um olhar, um sorriso, uma batidinha nas costas, podem ser agrados que direcionam e sinalizam negócios e valores. Mais do que questões econômicas ou ecológicas, são questões éticas! Falar de economia sem falar de ética, é chover no molhado! E até onde a ética tem sido considerada nas questões econômicas atuais? Apenas os contratos legais são suficientes para garantir uma correta transação? As leis sozinhas podem garantir uma justa negociação? Mesmo as leis, são propostas provisórias. São revogadas de tempos em tempos porque são incompletas e falhas. Nossas convicções também. Se uma cultura diz: mate!. Você mata! Se ela diz: salve! Você salva! Somos culturalmente coesos. Existe um “outro” que também decide, invisível, que não mora dentro da nossa mente, mas que nos comanda também. É algo pré-histórico e coletivista, lá do paleolítico, dos homens das cavernas, meio irracional. São as torcidas que gritam “gol” quando o “inimigo” é “abatido simbolicamente” ao vazar as traves, no coração do adversário, sem sangrar. São as demonstrações agressivas de territorialidade nas periferias dos estádios, mesmo depois da “guerra” acabada. Uma coisa é a técnica e outra é a tradição. É mais fácil mudar uma técnica! Mas, e a tradição? Podemos ter uma ótica pontual, mas de que vale a ótica sem a ética? O consumidor tem em suas mãos um trunfo letal. Mesmo afogado nas propagandas e nas técnicas de “fazer consumir” ele ainda é o “dono da festa”. Basta um aceno, e cabeças rolam!. Milhões de dólares vão pelo ralo com três letras e um til: não! Que poder infernal, este de um povo consciente, crítico e reflexivo! Já estamos falando de consumo ético, consumo responsável, consumo político. E por que não, uma sociedade ética? Economia sem ética é economia caótica. Vamos considerar as nossas “ticas”: as com “é” e as com “ó”. Quem sabe alinhamos também as nossas “eco”: a “logia” e a “nomia”? Quem sabe ainda podemos ser felizes, tradicionalmente?
domingo, 8 de maio de 2011
Envolvimento (fase1), des-envolvimento (fase 2), des-envolvimento sustentável (fase 3) e plena sustentabilidade (fase 4): assim caminha a humanidade...
Colaborador Roberto Rocha
Refletindo sobre a onda de "sustentabilidade" que cobre o mundo, fui procurar no passado remoto da nossa espécie, quando foi que perdemos a ligação sagrada com a natureza e passamos a venerar o tecnicismo como nosso deus de cada dia. Revendo cenas imaginárias dos costumes dos hominídeos primitivos, vamos encontrar nosso ancestral olhando para o fogo de uma mata próxima, já sentindo o cheiro da carne queimada dos animais. Passado o perigo incendiário e seguido de outros predadores mais originais, segue ele em busca de "churrascos" misturados com a cinza salgada do chão: uma verdadeira iguaria! Depois de comer muito, ele reflete se vale a pena levar alguns pedaços para o grupo distante, mesmo se arriscando a atrair outros comedores de carne mais possantes. Afinal, a carne tostada leva o cheiro mais distante do que o sangue coagulado. Desconfiado, mas não menos sábio, decide não se arriscar e come mais um pouco de modo que a energia poderá ficar guardada dentro do seu corpo e não atrairá a atenção de ninguém. Com ela poderá andar livremente, sem peso nas costas, e abater outra presa ou procurar alguma outra já recém-morta sem colocar em risco a sua curta vida. Me dou conta então que viajei no tempo e construí um cenário que bem pode ter acontecido; embora, nem todos os fósseis coletados possam descrever, com tamanha precisão, todos esses detalhes. Esse hominídeo vivia "envolvido" com a natureza e dependia dela todo o tempo. O homem era a própria natureza e não imaginava outra coisa, porque essa era a verdadeira realidade. Mas o que fizemos nós, passados alguns milhares de anos? Resolvemos ser independentes e tomar as nossas próprias decisões, carregando nosso cérebro com informações e pensamentos mais ousados. Aprendemos então a usar o fogo, no lugar somente de somente aproveitá-lo em eventos incendiários. Acho que foi aqui lançada a pedra fundamental da manipulação da tecnologia para nossos interesses direcionados. Novas armas e instrumentos nos levaram a conquistar novos espaços e inventar novos meios de nos satisfazer de modo mais autônomo. Certamente, foi a partir daí, que tivemos a sensação de que nós seríamos os condutores do mundo. A Revolução Industrial nos daria um poder jamais visto em qualquer tempo. Mais satisfações e sonhos seriam atendidos e perseguidos. Aos poucos fomos nos "des-envolvendo" com as nossas raízes, e fomos buscar novas aventuras num mundo mais nosso do que do divino. O des-envolvimeto passou a ser uma prática comum, com cada vez, mais hominídeos se separando da vida natural. Essa euforia inicial nos lançou num círculo de produção selvagem e destruidora, até porque não conhecíamos as consequencias desses descaminhos. Fumaça preta era então sinônimo de riqueza. E realmente era assim! Passamos a ter acesso a novidades incríveis! Que hominídeo pode resistir a uma novidade? Impossível! Somente alguns séculos depois é que passamos a reconhecer alguns enganos. Passada então a primeira fase (envolvimento) e a segunda (des-envolvimento), resolvemos acrescentar a palavra sustentável, mostrando já alguma sensibilidade e reconhecimento de que algumas coisas não tinham dado certo. Isto é, embora ainda desligados do mundo natural estávamos agora desejando sustentar somente algumas coisas essenciais, mas sem os exageros do passado avassalador. Com a entrada do século XXI, estamos agora nos encorajando para uma quarta fase - a da sustentabilidade autêntica. Isto é, uma compreensão mais apurada de que nós realmente não podemos viver separados da natureza e apenas nos locupletando dela, sem maiores cuidados. Já estamos percebendo - por causa dos prejuízos astronômicos acumulados com os recente desastres - que nós fomos longe demais em nossas "viagens" intelectuais e econômicas. Que precisamos sim, ser mais humildes e dependentes. Afinal, nós somos mesmo ambiente. Não poderemos ser máquinas ambulantes com cérebro pensante. Seria completamente anti-natural. Não acredito que isso possa trazer felicidade para qualquer pessoa. Somos pele, somos cheiros, somos sabores. Ninguém pode sentir nada com um beijo de lata, mesmo com ilusões programadas. A proposta da sustentabilidade deve considerar essas nuances. Não poderemos passar de um pólo para outro tão rapidamente. Precisaremos de um tempo para sair do des-envolvimento sustentável para a sustentabilidade ampla. Isso deverá nos pressionar a recuarmos em nossas intenções mais arrojadas: um grande desafio! Passado todo esse tempo e todas as conquistas, o homem permanece curioso e aventureiro. Como resolver isso? A questão é que no passado, tínhamos a natureza ainda tolerante com as nossas elucubrações. Agora, parece que ela não está muito satisfeita. Tem nos mostrado sua revolta por diversas vezes. Até onde podemos desafiá-la? Logo ela que tem um invejável currículo de vitórias e experiências, as mais desafiadoras, em quase cinco bilhões de anos? E nós, com apenas alguns milhares, quem sabe duzentos ou trezentos mil anos? Quem tem mais experiência? Quem sabe possamos recuar e convidá-la para um novo envolvimento? Como o casal que se separa e volta? Quem sabe, ainda possamos ser felizes? O que fará acontecer esta união e retorno? Um presente caro? Quem sabe seja deixar de ser tão petulante e ambicioso? Menos artificial e mais natural? Mais solidário e menos agressivo? Menos máquina e mais coração...
sexta-feira, 15 de abril de 2011
O QUE É MELHOR: usar combustível fóssil ou biocombustível?
Colaborador Roberto Rocha
Quando me fizeram essa pergunta, eu já ia respondendo que o biocombustível era renovável e o fóssil não era. Mas, depois de uma breve reflexão, afirmei: o melhor é usar o combustível fóssil!. Quando vi o espanto na face de quem me perguntou, fez acender meu alerta: acho que falei uma besteira! Imagine! Todos afirmam que o que vem da natureza é mais saudável e se renova! E agora, como explicar tal desacordo? Lembrei então da definição do que é o petróleo: uma substância oleosa, de origem orgânica, resultado da decomposição de seres invertebrados que viveram num passado distante. Está aí o grande achado: o petróleo é de origem biológica, portanto é um biocombustível tanto quanto qualquer outro proveniente de um organismo vivo do qual se extraia energia. Mas então, por que tanta discussão? E qual seria a tal vantagem? Pensei outra vez e respondi com convicção: petróleo é resultado das criaturas que desapareceram no passado e não deixaram descendentes, mas apenas seus corpos transformados. Sabemos que as espécies atuais vieram de espécies ancestrais, pela evolução, mas as formas recentes apresentam relevantes diferenças em suas aparências. Podemos pensar numa girafa e, ao mesmo tempo, num dinossauro de pescoço comprido, como se fossem parentes. No entanto algumas delas eram muito semelhantes, como no caso das tartarugas e jacarés. O amigo que estava comigo insistiu: e por que você é a favor de algo que tanta gente combate? Não é que eu seja a favor! Todo mundo afirma que a queima de combustível fóssil libera CO2 e agrava o efeito estufa, fenômeno conhecido como aquecimento global. Mas, continuei, embora o CO2 seja o vilão da história (?), existem atividades humanas que liberam outros gases (muito mais agressivos) que contribuem para esquentar o planeta, tais como as culturas de arroz – que liberam metano - e aqueles provenientes dos fertilizantes que cobrem o Brasil inteiro. As queimadas chegam a impedir o transporte aéreo em determinadas regiões do país. A questão central é que quando retiramos a energia de criaturas que já desapareceram, e que estavam “guardadas” a muitos metros de profundidade, nós não estamos causando erosão genética, isto e, não estamos matando a biodiversidade do planeta, porque ela já está morta. Não podemos omitir o fato de que a exploração de petróleo também elimina biodiversidade recente, como ocorreu no Golfo do México. Entretanto, quando você planta - deliberadamente - cana-de-açúcar, soja, milho, mamona e qualquer outro vegetal para implantar monoculturas, você precisa retirar a floresta - porque essas plantas são de crescimento rápido, precisam de muito sol e não crescem debaixo de sombra, como ocorre com o cacaueiro – que nos fornece excelente chocolate, produto muito procurado. Na pecuária é a mesma coisa: as capineiras (capim para alimentar o gado) precisam de locais abertos e planos, bastante ensolarados. O gado precisa de espaço para circular e pisoteia tudo que estiver por baixo. Não há mata nativa que aguente tantas invasões. Embora o Brasil seja um país megadiverso – muito rico em biodiversidade – nós (?) preferimos criar e cultivar espécies de outros países que nunca existiram por aqui, como o boi, o cavalo, o porco, a galinha etc. A grande maioria é importada, para gerar lucro rápido. As nossas espécies (indígenas, autóctones ou nativas) são pouco conhecidas ainda para se saber se poderão substituir com vantagens essas espécies alienígenas ou exóticas. Falta pesquisa e investimento pesado. Entendo que não se queira trocar o certo pelo duvidoso, mas no passado, tudo era incerto também. Ocorre que as espécies brasileiras podem servir não apenas para produzir energia e pasto para gado em espaços devidamente controlados. Elas podem significar bases químicas importantes para a medicina, oferecendo novos antibióticos, antihemorrágicos, antidepressivos, anticancerígenos, analgésicos e tantos outros, sem que se tenha que destruí-las, como vem ocorrendo intensamente. Muitas desaparecem sem serem ao menos identificadas. As listas de espécies ameaçadas aumentam no mundo inteiro e não mostram sinais de restauração. Os poucos sucessos obtidos para salvar alguma espécie da extinção, são alardeados como que se estivéssemos agitando, desesperadamente, uma bandeira de alerta para o resto do mundo, impassível e imediatista. Uma floresta com todos os seus componentes devidamente funcionais precisa de alguns séculos para alcançar seu clímax. Como apresentar tal discurso num mundo de fibras óticas e computadores que trabalham na velocidade dos nossos pensamentos? Meu colega ficou meio triste, depois da explicação e me disse: mas o que estamos fazendo então é uma imbecilidade! Eu pensei outra vez: não tenho muita certeza. Quem lida com aspectos econômicos de grande alcance, tem acesso a informações que a maioria da população ignara não tem. Não são imbecis. A questão não é só de conhecimentos. Existem outras motivações próprias do homem, para enfrentar desafios, novos caminhos e conquistas que não podem ser esquecidas. Somos primatas curiosos, queremos mudar o mundo que nos cerca. No entanto, acredito que ainda não estamos completamente insanos para desejar a nossa própria morte e a dos nossos filhos e netos. O problema é que a natureza é lenta, mas muito competente. Estamos subestimando suas forças. Ela não vai perder essa parada! Estamos cutucando o diabo com vara curta. Ela, de tão generosa que é, já vem nos alertando para as consequencias de nossas escolhas equivocadas. Nós, continuamos a ignorá-la, como deuses supremos que não precisam de conselhos. Ela, paciente como sempre, vai esperar, até que tudo volte a ficar como sempre foi...
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