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sábado, 1 de janeiro de 2011

Vamos ajudar a REVECOM !


O médico Paulo Roberto Neme do Amorim é um conservacionista nato que conheço  há meio século. Em sua luta para preservar a biodiversidade amazônica protege os recursos regionais e cuida pessoalmente dos trabalhos educativos e assistenciais envolvendo crianças, adultos e idosos, especialmente os mais necessitados. São raras as pessoas com o potencial e a bondade do Paulo, que admiro e respeito profundamente. Infelizmente o Brasil ainda não alcançou um patamar exemplar no cuidado com os seus ecossistemas mais significativos. A Mata Atlântica é um exemplo da devastação sofrida e capitaneada pela sede de produzir a qualquer custo, sem se preocupar muito com o destino das gerações futuras. Depois de séculos de degradação, estamos agora tentando compreender o que fizemos e o que causamos. No entanto, ainda teremos que lutar desesperadamente para salvaguardar, pelo menos, parte do que foi a nossa riqueza natural  Segue abaixo o apelo do Paulo Roberto que estou aqui copiando e rogando a todos -  que de alguma forma possam ajudá-lo - para entrar em contato urgentemente. Agradeço a todos que puderem contribuir. Muito obrigado, de coração.

Roberto Rocha

Segue o apelo do Paulo Roberto:

Inicialmente peço desculpas pelo incomodo. Não o faria se nossa situação não fosse particularmente grave.


Há cerca de treze anos, quando da criação da Reserva Particular do Patrimônio Natural REVECOM, sofri muitas críticas e descrédito por parte das pessoas. Permeamos a RPPN REVECOM ao público em geral.

Nossas atividades, sem anúncios foram disponibilizadas a mais de trinta mil pessoas através do PEACE – Programa de Educação Ambiental, Cidadania e Espiritualidade e quase mil animais silvestres receberam atendimento humanitário no PVAFS – Programa Voluntário de Atendimento à Fauna Silvestre.

Através de uma taxa ambiental os visitantes colaboram com a manutenção do espaço e o atendimento gratuito à população carente, deficientes visuais e cadeirantes. A receita gerada é aplicada exclusivamente na RPPN, pois sua mantenedora não possui atividades comerciais exceto aquelas necessárias para o bom funcionamento da RPPN.

Em momentos de crises financeiras pessoas e empresas nos apoiaram com doações e convênios de cooperação. O Estado e o Município de Santana estabeleceram convênios.

Uma década após a criação, a RPPN REVECOM é uma Unidade de Conservação do estado do Amapá muito conhecida a nível nacional e internacional, conforme uma pesquisa na WEB. É visitada devido aos programas socioambientais e culturais desenvolvidos.

A RPPN REVECOM não é um espaço comercial é um espaço ideológico onde declaramos nossa responsabilidade uns para com os outros, com a grande comunidade da vida, e com as futuras gerações.

Foi construído e é mantido com o árduo trabalho dos seus idealizadores e família, empregados, voluntários e outras pessoas e empresa que comungam com seus princípios ecocêntricos e fundamentos de uma adequada educação ambiental, com base na Carta da Terra, visando um mundo melhor. Infelizmente, porém, estamos enfrentando uma nova crise financeira.

O fechamento do orçamento do Estado do Amapá, em NOV 30, devido à transição de governo, prejudicou a renovação/aprovação de novo projeto semestral para a RPPN solicitadas em novembro. Os procedimentos estão suspensos até a abertura do orçamento 2011, o que representa menos oito mil reais nos já combalidos recursos disponíveis mensalmente, o que é catastrófico para a RPPN.

O valor que se ausenta representa cerca de 61% dos recursos de convênios de cooperação firmados. Passar para 2011 tal ajuda, em prazo ainda não definido, afeta gravemente a essencialidade dos serviços prestados pela RPPN: o PVAFS, hoje atendendo mais de 500 animais o PEACE e o importante custeio da mão de obra cativa.

O repasse semestral realizado pelo Estado, em junho de 2010, exaure-se nesta primeira quinzena de dezembro, nos projetando num vórtice de problemas: o atraso do pagamento da mão de obra, dificuldades com a alimentação dos animais, dentre outros.

Reconheço que, recentemente, o GEA tem sido um parceiro exemplar e que ainda nos ajudará muito, pois existem recursos em caixa, das medidas compensatórias, que poderão ser usados para custear a RPPN ano a ano, ao invés de uma mínima ajuda semestral.

Constrangido, coloco meu pedido de ajuda para V. Sa. que já esteve aqui e conhece nosso trabalho. Juntos, e com a sua doação, poderemos vencer mais uma crise, mantendo a RPPN REVECOM em funcionamento e em contínuo crescimento, espalhando conhecimento por todo lado, lutando por um mundo melhor.

Contamos com sua compreensão. Por favor, nos ajude a enfrentar esta fase que está nos projetando nesta lastimável situação.

Atenciosamente,

Paulo Roberto Neme do Amorim

Reserva Particular do Patrimônio Natural REVECOM, Santana, AP.

Gerente Técnico Voluntário e Guardaparque

Earth Charter Volunteer

www.revecombr.com.br ; http://rppnrevecom.blogspot.com/

pn.amorim@uol.com.br ; revecombr@bno.com.br

Tel: 55 96 3281.3849 Cel: 55 96 9971.2155


PS: As doações poderão ser depositadas na conta:

Conta corrente 52129-9

MANTENEDORA: AMORIM E AMORIM LTDA EPP – CNPJ 01.477.979/0001-56

Agência 3346-4 Banco do Brasil

Áreas desprotegidas: reserva ilegal e áreas de preservação eventuais


Colaborador Roberto Rocha
O aluno perguntou para a professora o que era uma Área de Preservação Permanente (APP). Ela disse que era uma área para “preservar a natureza”. O aluno continuou: mas por que é preciso preservar a natureza? Porque a natureza nos presta serviços que valem muito dinheiro e pelos quais nós não pagamos absolutamente nada. Imagine se todos dependessem apenas do dinheiro para poder viver! E o garoto, outra vez: mas não é assim? Se eu não tiver dinheiro no bolso eu não posso comprar a minha merenda! Minha mãe não pode fazer compras no mercado! Meu pai não pode pagar a passagem do trem e do ônibus! Eu não entendi! Pois é, muita gente não entende. Pensa que economia é assunto ligado exclusivamente à geração de empregos, construir estradas e ferrovias, comprar eletrodomésticos etc. Mas se os serviços ambientais deixarem de existir, tudo isso que você vê funcionar, pára. Nada mais acontecerá! E não haverá dinheiro suficiente para substituir “pagando”, todos esses “serviços naturais”. Mesmo pedindo empréstimos ao mundo inteiro. É impossível sobreviver sem os serviços ambientais! O menino ficou mais curioso ainda: então nós dependemos de algo que trabalha de graça para nós, o tempo inteiro? Sim, respondeu a professora. O menino: e quem faz isso? A natureza, ora! Você paga para uma empresa levar a água até a sua casa, mas quem faz circular água na Terra é a natureza! Imagine ter que transportar toda aquela água desde as nascentes até a estação de tratamento? Quem faz isso? O menino: a natureza? A professora: é, a natureza! O menino estava impressionado! Mas por que então ninguém fala sobre algo tão importante nos jornais das televisões e nos programas em geral? As escolas deveriam falar desses serviços em todos os níveis de ensino! O menino estava revoltado! A professora, mais uma vez, explicou: tem gente que fala, mas as pessoas não percebem, porque esses serviços não têm um sistema de propaganda e marketing a favor deles. Você já viu alguém fazendo propaganda sobre a formação das nuvens no céu? Ou elogiando uma mosca que poliniza um fruto? Ninguém faz isso! Aí, você entende porque essa discussão sobre reserva legal e áreas de preservação permanente continua tão confusa. As pessoas só raciocinam com base na “cadeia produtiva” compreendida como “ganhar dinheiro” ou ainda, “perder dinheiro”. Não conseguem ver que a preservação da natureza gera lucro, evita prejuízos imensos, melhora a saúde física e mental. Tudo isso “é lucro”. O menino estava triste: quer dizer então que a maioria das pessoas só pensa em termos de dinheiro? Exato! É isso mesmo. Não temos uma cultura que valorize a preservação da natureza como a mais importante fonte de “lucros”. O que temos é a exploração da natureza como fonte de lucro: você entendeu onde está o problema? Agora entendi, respondeu a criança. Mas como mudar isso, perguntou o aluno? A professora: depende primeiro da percepção de cada um sobre a importância desses serviços. Depois a legislação precisa colocar isso como prioridade. Veja que uma simples mudança climática regional – como a que acontece agora no Nordeste, em Alagoas e em Pernambuco - trás um mundo de perdas inestimáveis. Os municípios vão gastar fortunas para reconstruir as cidades. Tudo isso sinaliza para nós como alertas. Mas se não ouvimos os alertas, tudo continua como antes. As pessoas continuam a construir suas casas nas margens dos rios e nas encostas; desmatam as nascentes, e assim vai. É claro que a natureza vai pegar de volta os seus espaços, mais cedo ou mais tarde. Se sabemos disso, não deveríamos permitir essas ocupações indevidas. E nem mesmo a ocupação de grandes espaços com monoculturas e gado. Isso não é natural para o nosso país. Aqui deveríamos cultivar e criar plantas e bichos daqui mesmo, evitando o desmatamento insustentável. A soja é da China, o boi é europeu ou indiano. São exóticos. Tudo estrangeiro. A questão é que nós aumentamos tanto as áreas para criar bichos e plantas de outras países, que agora estamos avançando nas áreas das plantas e dos bichos que são nossos. Não estamos investindo em aproveitar esse potencial nativo porque custa caro e não atende às demandas do momento. É uma questão de estratégia comercial. É isso que é considerado como prioridade. Poderíamos até não ser radicais e tentar fazer as duas coisas ao mesmo tempo, mas muita gente não concorda com isso. É isso, minha criança! Temos a esperança que outros meninos preocupados como você, possam ser os empresários de amanhã. Que possam ser empreendedores também. Mas a partir de outro paradigma - que não seja o atual - altamente lucrativo, mas completamente desconectado da precaução e da coerência de cooperação mútua com os nossos próprios recursos, nossa biodiversidade, nosso futuro econômico. A questão principal é que o povo brasileiro é hoje formado por diferentes culturas; e cada uma tem lembranças distantes, que nem sempre combinam com as lembranças indígenas originais, em grande parte ausentes dos assuntos do momento. Os índios brasileiros possuíam uma sabedoria milenar de uso dos ecossistemas da terra, perfeitamente coerente com sua conservação permanente. Basta lembrar a incrível cobertura vegetal do Brasil na época da invasão portuguesa. Após cerca de 500 anos, podemos perceber o que aconteceu. Como já disse há algum tempo: não vamos voltar a usar arco e flecha, ou andar “pelados” por aí. A questão é refletir sobre questões ecológicas e evolutivas associadas às questões econômicas e fazer disso um novo caminho de “desenvolvimento” sem que sejam destruídos os nossos mais importante aliados: os serviços ambientais.

Áreas protegidas : bancos genéticos como solução imediata para a recuperação da insensata devastação florestal brasileira


Colaborador Roberto Rocha

Desde que li o livro “A ferro e fogo” (Companhia das Letras, 1996) de Warren Dean, professor de história na Universidade de Nova York - falecido em 1994 num trágico acidente em Santiago do Chile – tive certeza de que realmente fomos insensatos quando devastamos, durante séculos, a nossa rica biodiversidade brasileira. A epígrafe do livro traduz bem esse clima: “Quem vier depois, que se arranje”. Estimulados e convencidos de que “arrasar” a mata era a solução mais rápida de fazer dinheiro, nos esquecemos que estávamos num país tropical, onde não existe gelo e ameaças de fome, durante meses críticos. Uma bacia hidrográfica pululante de vida aquática, um litoral interminável de frente para um incomensurável oceano, terras ricas protegidas por uma megadiversidade invejável, jamais reconheceriam um ser desnutrido ou infeliz. A robustez de nossos índios “selvagens” atestam a riqueza da terra. A estratégia européia de plantar e colher, com suas próprias mãos, quase tudo de que necessita, não se parece com a milenar cultura de coleta natural de tudo que a floresta oferece sem qualquer custo adicional. Esse equívoco ecológico centenário nos transformou num dos mais vorazes predadores de florestas da atualidade seculovinteana. Hoje, em pleno século XXI, algumas pequenas luzes começam a reconhecer a importância econômica dos serviços dos ecossistemas.

Já afirmamos, por diversas vezes, a ponto de nos tornarmos repetitivos, que não se trata apenas de questões ecológicas e sentimentais que estão sempre envolvidas nesses embates. É sim, pura necessidade de bem-estar material e mental para as futuras gerações. Não é um cenário para as gerações de idosos da atualidade porque muitos deles não verão os frutos das mudas e sementes que estão sendo plantadas hoje, mas seus netos poderão conhecê-las. Eu, que fui avô recentemente, fico imaginando: quando será que minha neta poderá admirar uma frondosa castanheira ou um jequitibá esplendoroso, plantados agora, ainda de muda ou de semente?. Quantos anos se passarão - para que como ela -, cresçam fortes e cumpram o seu papel no mundo?

Um dos passos nesse sentido é a recuperação de áreas degradadas das margens dos rios, onde viceja a mata ciliar. Essas áreas específicas evitam a perda de solo e “cuidam” da qualidade e da quantidade de água a ser usada de diversas formas. Interferem numa infinidade de processos físicos, químicos e biológicos que nos trazem satisfações e confortos e garantem que os ecossistemas possam funcionar perfeitamente.

A percepção da importância desses serviços ambientais da natureza pode permitir que a própria tecnologia que dissemina as monoculturas, se volte para corrigir seus erros e equívocos do passado, numa tentativa de convivência mais equilibrada, como manda o bom senso econômico. As cercas com arames não são investimentos “caros” para afastar o gado, como costumam dizer. É antes, interessante meio de “produzir” água, novas sementes, revigorar a fauna, enriquecer o solo, prevenir erosão, conter enchentes, entre outras. Trata-se de investir em ”água” – um grande negócio!. Sem água não há chances de criar nada! Mesmo que você tenha milhares de dólares, eles não farão retornar a água de uma hora para outra. Isso leva algum tempo. E como dizem os economistas: tempo é dinheiro! Então, se não desejarmos perder dinheiro com tempo perdido, devemos aproveitá-lo com algumas medidas que trarão de volta o dinheiro, futuramente.

As áreas protegidas do Brasil - como as áreas indígenas, reservas legais, áreas de preservação permanentes e unidades de conservação - são indispensáveis bancos genéticos de sementes que valem fortunas quando estão transformados em imponentes árvores, cumprindo cada uma os seus respectivos papéis ecológicos.

O papel das áreas indígenas é decisório nesse momento em que temos grandes áreas desmatadas por monocultura e pecuária, necessitando de recuperação no Brasil. Florestas são “fábricas de sementes e mudas” que o mercado está precisando. Os próprios índios serão empresários de suas próprias “reservas econômicas” fornecendo esse material para um mercado que vai crescer rapidamente nos próximos anos. Reservas legais, áreas de preservação permanentes e unidades de conservação podem se transformar em grandes negócios ecológicos, de aceitação pública imediata. Produzir mudas e sementes em hortos municipais, com recursos públicos, também é uma idéia antiga, mas que não existe como realidade na maioria dos milhares de municípios do Brasil. Assim como é possível fazer com o tratamento de resíduos sólidos em “consórcios”, é possível atuar em viveiros de produção de mudas unindo secretarias próximas de áreas protegidas. Vai ser preciso investir em capacitação de pessoal e gerar mais empregos nessa área, prestigiando as profissões envolvidas nesse trabalho. Mais do que um exemplo internacional – os jogos olímpicos estão bem próximos – poderemos construir um modelo de produção comprometido com uma visão que entende a necessidade da existência da complexificação ecológica como a verdadeira fonte lucrativa que alimenta os nossos processos históricos de economia, baseados numa simplificação pragmática e exclusivista.